sexta-feira, 3 de junho de 2016

O JOIO E O TRIGO

Joio e trigo são dois produtos que se diferenciam pelas suas qualidades e pelos seus efeitos. O joio é algo de péssima qualidade e que tem como objetivo prejudicar as coisas de boa qualidade. Daí, aquela conhecida frase: “separar o joio do trigo”, ou seja, separar os maus dos bons. Infelizmente, essa erva perigosa costuma invadir as plantações de cereais, causando-lhes danos profundos.
 No livro de Mateus, capítulo 13, a partir do versículo 25, Jesus Cristo faz referência ao joio que foi lançado no meio da plantação de trigo. Mostrando o perigo dessa erva daninha, Ele nos adverte no sentido de estarmos sempre alertas, para que o “inimigo” não lance no meio do trigo (o povo de Deus), a semente do joio, que tem provocado tantos problemas nas igrejas. Na verdade, devemos estar preparados para enfrentarmos as investidas malignas dos joios lançados no nosso meio.
 A parábola do joio nos coloca diante de uma realidade: a de que a vinda do Reino do Céu provoca uma reação do Maligno que, de forma sigilosa, semeia o joio onde Deus tem semeado o trigo. Mas, mesmo que pensemos diferente, cabe somente a Deus destruir os que pertencem ao Maligno. No versículo 1º de Mateus 7, Jesus diz: “Não julgueis para que não sejais julgado”. Ele ensina que, com paciência devemos esperar a colheita no fim dos tempos, como podemos ver no versículo 39 do capítulo 13 de Mateus.
 O apóstolo Paulo, em suas cartas, tem se preocupado bastante com o andamento espiritual das igrejas por ele criadas. Na primeira Carta enviada aos cristãos de Corinto, Paulo diz, no versículo 11: “Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós”. Paulo não fala sobre contendas com os de fora, mas dos que estão na mesma igreja. Ele estava tentando resolver um problema sério entre os cristãos. A igreja de Corinto nem se dava conta do mal que causava a si mesma.
 No capítulo 5, de sua 1ª Carta aos Coríntios, do versículo 1 ao 13, Paulo repreende os “joios” que estão praticando imoralidade na igreja, enquanto os outros se mostravam indiferentes a tudo aquilo. Era tão grande a imoralidade que havia alguém possuindo a mulher do próprio pai. Paulo chega a dizer lá no versículo 13: “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor”. E faz uma advertência: “Os de fora, porém, Deus os julgará” (V. 11). Foram muitos os problemas vividos por Paulo na igreja de Corinto. Prova disso é que ele escreveu em suas duas cartas àquela igreja, 29 capítulos e 693 versículos.
 Os joios não deixaram de ter as igrejas evangélicas  como seus alvos de preferência. Eles continuaram e ainda continuam causando danos profundos e preocupantes. E como podemos saber quem é joio e quem é trigo? Bem, uma das respostas pode ser encontrada Mateus 7, onde somos advertidos a respeito dos falsos profetas. Esses se disfarçam de ovelhas (o trigo), mas não passam de lobos roubadores (o joio). As árvores boas sempre produzirão bons frutos (o trigo), mas as árvores más produzem maus frutos (o joio).
 Paulo encontrou joios também na igreja de Roma. No capítulo 16, versículos 17, 18 e 19, o apóstolo chama a atenção dos cristãos daquela igreja para que tenham cuidado com os que provocam divisões e escândalos (os joios). Paulo manda que os cristãos (os trigos) se afastem deles, pois eles não servem a Cristo. Sexo fora do casamento, traição no casamento, falar mal dos irmãos, julgar os seus semelhantes, falsidades, a hipocrisia, tudo faz parte das igrejas invadidas pelos joios.
 Tirar os frutos apodrecidos (os joios) para não contaminar os sadios (os trigos) faz bem à saúde da boa árvore, para que ela continue dando bons frutos. Em 1 João 2:19 diz que “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”. O que vemos aqui é que muitos que haviam pertencido à comunidade cristã,  deixaram-na por não confessarem Jesus Cristo como o Messias. Eles foram alcançados pelo Anticristo, o comandante das forças do mal.
 Como pode um cristão amar o seu próximo, se ele ainda continua sendo joio no meio do trigo? As denominações precisam rever com muito cuidado e muita oração o seu comportamento diante da sociedade onde vivem e precisam dar bons testemunhos. Tudo isso não faz sentido se não começar pelos líderes religiosos (bispos, presbíteros e diáconos). Sempre há uma tendência de as ovelhas seguirem o exemplo dos seus pastores.
 E o que Bíblia diz a respeito dos bispos, presbíteros e diáconos? Bem, vamos lá para a Primeira Carta de Paulo a Timóteo, seu verdadeiro filho na fé. Que o presbítero seja  irrepreensível, esposo de uma só mulher,  temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento, que governe bem a própria casa e não seja neófito (novato). Parece que não é nada fácil ser trigo nesse caso!
 Quanto aos diáconos, devem ser respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservadores do ministério da fé com a consciência limpa, devem ser primeiramente experimentados e se forem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Também devem ser marido de uma só mulher e deve governar bem os seus  filhos e a própria casa. E até as mulheres dos presbíteros e dos diáconos não devem ser faladeiras (fofoqueiras), mas devem ser respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo.
 As línguas dos presbíteros e dos diáconos devem passar por uma séria revisão espiritual. Controlar o que fala e ser uma pessoa onde os de lá de fora vejam bons exemplos, é um dos principais critérios para o excelente exercício do Presbitério e do Diaconato. A Bíblia diz que eles devem ser IRREPREENSÍVEIS. Isso não significa dizer que sejam perfeitos, mas que sejam exemplos em vida consagrada a Deus e em atitudes na sociedade onde vivem como verdadeiros representantes de Jesus Cristo.
 Diante de tudo isso, você se acha plenamente capacitado para o santo exercício do presbitério e do diaconato? Olhando para dentro de você mesmo, como está o seu relacionamento com a igreja e com o mundo lá fora? Você se indispõe ao encontrar com determinados irmãos? Como está sendo o seu exemplo em família, principalmente com os filhos? Ainda não foi contaminado pelos joios? Está tudo sob controle diante de Deus? Então, mãos à obra!!!

Escrito e postado por Adalberto Claudino Pereira.