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sexta-feira, 12 de agosto de 2022
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
MUDANDO OS PLANOS
O PISTOLEIRO
Um certo fazendeiro, invejoso, ganancioso e dono de um coração cheio de ódio e rancor, contratou um pistoleiro para executar um cidadão, por quem alimentava uma certa aversão. Fechado o “negócio”, entregou-lhe a metade do valor combinado.
Frio e calculista, o pistoleiro partiu em direção à residência do desafeto do seu “patrão”, onde chegou já ao cair da tarde. Bateu à porta e foi recebido por uma senhora, que enxugava as mãos num avental já bastante sofrido pelas atividades diárias. Vendo o “visitante”, ela chamou o marido, o alvo do assassino.
Educadamente, a possível vítima, cumprimentou o estranho visitante, abriu-lhe a porta e mandou que entrasse e sentasse para descansar o corpo da viagem. Serviu-lhe água para matar-lhe a sede e nem se preocupou em saber seu nome, de onde vinha ou para onde ia.
Para ele, aquilo eram detalhes que não lhes interessavam, pelo menos no momento. Apenas sentou-se à frente do pistoleiro e, mal havia iniciado uma conversa, ouviu uma voz vindo do interior da casa. Era a esposa que anunciava a hora do jantar.
Com a mesma educação como o recebeu, ele convidou o “visitante” para acompanhá-lo até a sala de jantar. Os dois sentaram à mesa, seguidos da dona da casa. Virando-se para a janela do oitão, o cidadão gritou: - Meninos, hora do jantar!
Imediatamente, surgiram na sala sete meninos, que se aproximaram da mesa, mas o cidadão os repreendeu mandando que fossem lavar as mãos. Eles o obedeceram e voltaram cheios de vontade.
Cada um tomou o seu lugar, olhando meio desconfiados para o estranho visitante. Olhando para eles com um olhar sério, o dono da casa murmurou: - Não vão dizer boa noite para o nosso amigo? Todos gritaram a uma só voz: - Boa noite, moço!
O pistoleiro, mal podia falar, mas com um grande esforço conseguiu responder aos cumprimentos das crianças. O dono da casa, apontando para os garotos, apresentou: - aqueles quatro à esquerda são nossos filhos André, Noaldo, Carlito e Juarez; os outros três: Arthur, Miguel e Marcelo são nossos netos. Apontou para a mulher e apresentou: Esta é Clarice, minha esposa! Ela é quem manda em tudo! (risadas).
Terminado o jantar, todos foram para a sala, onde as conversas foram bastante animadas, menos para o pistoleiro, que, atônito diante de tudo o que presenciava, não sabia o que fazer. Vez por outra esboçava um sorriso meio sem graça, até que, para seu alívio, ouviu o cidadão dizer: - Bem, pessoal! Hora de dormir! Amanhã será outro dia!
Conduziu o “visitante” até o quarto de visitas e, como a noite estava fria, escolheu para ele os melhores agasalhos. A noite foi uma verdadeira tortura para o pistoleiro. Por mais que tentasse, não conseguia conciliar o sono.
As perguntas alimentavam cada vez mais a tortura que corroía seu cérebro: - O que está acontecendo comigo? Eu nunca “bati pino” numa “quebrada de milho”. Como eu posso tirar a vida da única pessoa que trata como gente?
O dia amanheceu e ouviu alguém batendo na porta do seu quarto. Era o dono da casa, chamando-o para tomar o café da manhã. Sentiu um calafrio tomando conta do seu corpo. Não tinha outra saída a não ser sentar novamente à mesa e encarar aquela família, cuja felicidade ele estava prestes a destruir.
Agradeceu a hospitalidade da família, colocou a mochila nas costas e com um aceno seguiu sua caminhada de volta para casa. Continuava sem saber o que havia acontecido com aquele sujeito frio e calculista, matador de aluguel.
Olhando de lado, depois de alguns minutos de caminhada, deparou-se com um pequeno lago. Saiu da estrada, chegou à beira do lago, tirou da mochila o revólver e o lançou o mais longe que alcançou. E como se o lago o ouvisse, murmurou: - Toma! É todo teu! Faça com ele o que quiser.
Deu meia volta, retornou à estrada e continuou em sua longa e penosa caminhada. Agora mais aliviado, ensaiou um pálido sorriso, balançou a cabe por várias vezes, como se não estivesse acreditando no que acontecera com ele.
Lembrou-se do sorriso das crianças e da felicidade daquele casal, uma família que ele quase destruiu. Chegou até a pensar em construir uma família, mas desistiu. – Quem vai confiar num sujeito como eu? Eu sempre serei um pistoleiro cruel e desumano!
Com o dinheiro recebido, metade do acertado, tomou um destino até hoje ignorado. Quem o conhecia como um “quebrador de milho” perverso e sem coração, não sabe dizer o seu destino. Se ele se sentiu aliviado pela mudança inesperada, a sociedade sentia muito mais.
Este texto, com sabor de ficção, foi criado num momento em que o autor meditava sobre a fragilidade da nossa justiça, que teima em fabricar perigosos criminosos, diante das conivências com o terrorismo implantado pelos que matam, sequestram, assaltam e destroem os sonhos dos verdadeiros cidadãos.
Autor: Adalberto Pereira.
É PRECISO CORAGEM PARA VENCER
VENCENDO OBSTÁCULOS
O ano era 1979. Eu estava muito bem no exercício da minha função no Departamento de Jornalismo da Rádio Espinharas de Patos. Surpreendentemente, recebo uma proposta para trabalhar na Emissora Rural a Voz do São Francisco, em Petrolina.
O salário era tentador, mas a indecisão colocava-me diante de uma situação inusitada: eu estava na Rádio Espinharas há seis anos em minha segunda passagem pela emissora, onde comecei em 1962, ainda desconhecido e com o nome artístico de Carlos Alberto, ideia de José Augusto Longo e Luis Pereira. Não foi fácil suportar a separação da minha família e dos amigos, mesmo sabendo que poderia superar tudo isso.
Sabendo do convite que me fora feito pela Direção da Emissora Rural de Petrolina, alguns colegas me aconselharam a não aceitar. Alegavam eles que era um grande risco, uma vez que lá só tinha “feras” e que eu ia me decepcionar.
Ora, se eu já estava indeciso, calculem a minha situação diante dos “estímulos” dos colegas! Além disso, eu não sabia nem onde ficava Petrolina. Já me colocava na condição de um estranho na multidão. E cada vez que pensava assim, a dúvida aumentava e o receio dominava os meus neurônios.
Resolvi dizer SIM! Fui até o Pe. Luiz Laires da Nóbrega, meu Diretor e comuniquei: - Recebi uma proposta da Emissora Rural de Petrolina! Não pretendo deixar a Espinharas e meus amigos daqui. Se vocês pelo menos chegarem ao mesmo salário, eu ficarei. Não quero mais que isso.
O Pe. Laires consultou o Departamento Pessoal e este informou não ter condições de conceder-me um aumento que chegasse ao prometido pela outra emissora. Na época eu deixara de ser o Carlos Alberto de 1962 e já era o Adalberto Pereira, nome que eu mesmo escolhi.
O Pe. Laires fez o que estava eu seu alcance para manter-me na emissora. Não era eu o melhor, mas eu era Diretor de Jornalismo, repórter, redator, apresentador do Jornal da Manhã e Comunicação Total e ainda integrava o quadro de esportes da emissora. E isso sem nenhum interesse financeiro.
Quem não queria um funcionário assim? Acredito que este detalhe chamou a atenção dos Diretores da Emissora Rural (Monsenhor Gonçalo, Sr. Paulo Brito e Pe. Mansueto de Lavor). Não nego que estava feliz com o convite. Mas era dominado pelo medo, quando lembrava os comentários negativos dos colegas.
Procurei não levar aquilo a sério. Na rodoviária de Patos e já dentro do ônibus da Viação Brasília, olhava para os amigos que passavam e acenavam para mim. Confesso: não conseguia conter as lágrimas. Eu amava a Rádio Espinharas e Patos ocupava e ainda ocupa um lugarzinho especial no meu coração. Quantas vezes pensei em desistir!
Em Petrolina, fui recebido na rodoviária pelo saudoso colega Juarez Farias e por ele conduzido até um apartamento na própria emissora. Tudo era muito estranho. A falta dos amigos e do carinho dos patoenses não me permitiram um sono tranquilo. E haja sofrimento! E foram muitos dias assim.
Cheguei a pensar que as previsões dos amigos lá de Patos começavam a virar realidade. Mas um dia fui surpreendido com um chamado dos diretores. Eles me incumbiram de apresentar um noticiário. Estaria eu sonhando? Aquilo era verdade? Quase que beliscava meu próprio corpo para saber se estava acordado.
Ao entrar no estúdio para apresentar o noticiário, notei que um grupo de curiosos me observava do outro lado do vidro. E, para minha surpresa, aquele grupo era formado pelos senhores Paulo Brito, Monsenhor Gonçalo, Mansueto de Lavor e Vinicius de Santana. Na verdade, eu estava diante de uma verdadeira “prova de fogo”.
Antes da última notícia, todos eles haviam desaparecido. O que teria acontecido? Aquilo era um bom ou um mau sinal? Seria a confirmação das previsões dos amigos de Patos? Ao levantar-me, vi o sonoplasta fazendo um sinal de positivo. Mas ele não fazia parte daquele grupo. Logo...!
No dia seguinte, o Monsenhor Gonçalo Pereira Lima, chegou à porta da sala de redação, olhou pra mim com aquele sorriso próprio dele e falou: - O senhor vai apresentar os noticiários de hora em hora, a partir da próxima semana. Ao dar os primeiro passos, deu meia volta para dizer: - Parabéns!
Naquele momento, desejei ver ao meu lado os colegas da Rádio Espinharas que duvidaram da minha capacidade de estar entre os que eles chamaram de “Feras”. Também queria que eles testemunhassem que eu não havia me decepcionado. Afinal, eu havia vencido o grande obstáculo que via pela frente.
Vencer desafios não é tremer diante das oportunidades, mas encará-la com coragem, colocando-se lado a lado com os competentes e se tornando “fera” como eles. No rádio, os desafios não são pouco e também não são fáceis de vencê-los. Mas ao longo dos 30 anos de rádio, consegui vencer os mais complexos obstáculos.
- Por Adalberto Pereira –
sábado, 6 de agosto de 2022
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
UM FELIZ REENCONTRO COM O AMIGO ZÉ COSTA.
REENCONTRANDO O AMIGO ZÉ COSTA
A vida oferece surpresas impressionantes. Umas são excelentes, outras nem tanto. Nascer em Abreu e Lima, Pernambuco, um pequeno Distrito de Paulista e seguir para Campina Grande, não deixava de ser um dos maiores desafios para um garoto tímido de apenas 9 anos de idade.
Naquela metrópole paraibana, morei na Liberdade, na Rua Paraguai (bairro da Prata), na Av. Rio Branco, na Rua Idelfonso Aires (Rua Estreita), na Arrojado Lisboa, na rua Ceará e no Monte Santo. Tudo era bem diferente da Rua Azul da antiga Maricota (como era conhecido o Distrito de Abreu e Lima).
As minhas principais aventuras aconteceram entre as ruas Ceará e Monte Santo. Da Rua Ceará, lembro os amigos Inácio (conhecido como Pelado), seu irmão Jurandir chamado Dida)e sua irmã Maria do Carmo, filhos do Sr. Cícero e d. Mariinha. Isso sem esquecer a família Nicolau, com seu Pedro e d. Inacinha e os filhos Pedro, José, Lilian e Noca.
Foi ali que comecei a jogar futebol num campo chamado “Cova da Onça”. Eu tinha apenas 14 anos. Embora aquela vizinhança fosse de primeiríssima qualidade, meus pais resolveram residir na Rua Monte Santo, onde tivemos excelentes vizinhos.
E foi ali onde conheci e convivi com amigos maravilhosos, destacando-se José Costa, Titi, Joãozinho, Birino, Maria do Carmo, Lourdinha e Bastinha, todos eles filhos do casal Antônio de Gama e d. Cícera, cujo nome verdadeiro era Maria Pinheiro da Costa.
Mas nomes outros merecem fazer parte desta seleta lista: Antônio Correia, Nivaldo, Marina, Corina, Teté, Olívia, todos filhos do casal Misael e d. Moça. Mais acima tinha o Zé Hamilton, Salomão, que jogou no Campinense, Náutico, Santos e Vasco do Rio (hoje médico e residente em Recife).
Não dá para esquecer os momentos de boas conversas no bar de “seu” Silva, na esquina da rua e bem pertinho da Praça Felix Araújo. Por trás da nossa casa estava a Cadeia Pública, onde todos os dias à meia noite os presos eram contemplados com a chamada “vitamina da meia noite”.
Foi morando no Monte Santo que tive o meu primeiro emprego como vendedor numa banca de revista no centro de Campina Grande, na calçada da antiga Mesa de Renda. Depois, com 17 anos, passei a trabalhar com o Sr. Geraldo Soares, num escritório de representações.
O escritório faca no terceiro andar do Edifício Açú, na Praça da Bandeira. Representávamos as molas Black Steel, as capotas Triunfo (ambos para Jeep), os tecidos A, Bittencourt, Bangu e Lincol Industrial.
Mas o meu ponto de referência agora se chama JOSÉ DA COSTA BARROS. Principalmente pelos anos que nos separaram (acho que uns 50), sem que eu soubesse onde encontrá-lo. Isso me entristecia, pela amizade que nos unia na nossa adolescência. Mas o que Deus reserva para nós é algo surpreendente.
Inesperadamente o tempo de Deus chegou e eu recebia uma mensagem vinda de uma jovem chamada Sinara. Era a filha do meu amigo Zé Costa. Foi aí que fiquei sabendo que ele reside no Rio Grande do Norte, mais precisamente em Monte Alegre, uma cidade com cerca de 40 mil habitantes, localizada a uns 35 minutos de Natal.
A distância não nos interessa quando sabemos que podemos estar perto (de coração) dos amigos inseparáveis. O meu reencontro com meu amigão Zé Costa encheu-me de alegria e hoje eu me sinto mais feliz.
Meu amigo, atualmente, não goza de muita saúde, mas se esforça para falar o necessário para sabermos que sua vida está bem cuidada por Deus, pela esposa Mirtes e por sua filha Sinara. Estes sempre estarão ao seu lado nos momentos em que ele mais precisa.
Também fiquei feliz ao receber uma mensagem do Samuel, filho da Sinara e que me disse ser o neto preferido do amigo Zé Costa. Ele até me falou dos outros dois netos do Zé, o Lucas e o Juan. O que nos conforta é saber que o amigo está muito bem acompanhado.
A partir desse reencontro, nossas conversas têm sido bastante animadoras e nos fazem voltar aos nossos tempos na Rua Monte Santo e às nossas aventuras ao lado do amigão Nivaldo. Agora é só esperar no SENHOR pela recuperação total do amigo para que nossa felicidade seja completa.
Nunca esqueça ou abandone os seus verdadeiros amigos, independente do que tenha acontecido de desagradável e que tenha causado constrangimento a alguém. Uma verdadeira amizade não pode ser sufocada por fatos superáveis.
Guarde seus verdadeiros amigos no coração, pois de lá eles jamais sairão quando a gratidão, o respeito e o carinho superam toda e qualquer adversidade.
UM ABRAÇO FRATERNO E CORDIAL, MEU AMIGÃO JOSÉ COSTA BARROS.
- Por Adalberto Pereira -