sexta-feira, 30 de setembro de 2022
TENHO DITO!
OPINIÃO
O nível cultural de um povo não se mede pelo acúmulo de anéis e diplomas, mas pela sua maneira de agir nos momentos das grandes decisões. Quem age com prudência é inteligente e sábio. A este a minha admiração e o meu respeito.
Miseráveis e sem escrúpulos são aqueles que se desfazem do seu caráter natural em troca de um “punhado de farinha”, mesmo sabendo que isso não solucionará as suas mais prementes necessidades.
Viver em função de esmolas é uma característica de quem ainda não descobriu o valor do caráter e da dignidade pessoal. Infelizmente estamos cercados de elementos que se acomodam em sua insignificância. São os famosos parasitas sociais.
Tenho exemplos, e não são poucos, de pessoas de baixíssimo nível cultural, mas que foram sábias ao decidirem seguir aos ensinamentos de Deus, enquanto outros, acumuladores de anéis e diplomas, optaram por seguirem em direção ao lago de fogo e enxofre. É questão de princípios.
É lamentável ficarmos diante de pessoas que, não sabemos se levadas pela ingenuidade ou pela imbecilidade, preferem se entregar aos lamentáveis costumes do “lava mãos”, sem refletirem sobre o mau que está causando a si mesmo e à sua família.
Ser conivente com a cretinice dos espertalhões é estar além deles no tocante à irresponsabilidade moral. Até parece que ser idiota é bem mais cômodo do que ser autêntico pensador e portador de grandes ideais.
O mundo declina em direção ao avanço da ideologia paupérrima dos que foram maus gerados. E esta realidade faz mal aos intelectuais que se esforçam para evitar que isso aconteça. É aí que descobrimos o quanto ser sábio faz bem.
Conversava certa vez com um cidadão que se dizia portador de vários diplomas, mas que lamentava o infortúnio do desemprego. Quis saber o porquê da sua “falta de sorte”. Acabei descobrindo que suas atitudes não eram coerentes com o que ele mostrava ser.
Tentei levá-lo a mudar de comportamento, mas a sua teimosia era crônica. Ele fora educado para ser antagonista, mesmo diante de situações que não condiziam com a realidade. Vestiu uma camisa ideológica retrógrada, criada por homens incompetentes e desonestos.
Iguais a ele conheço milhares. Infelizmente, este não é um mal de poucos. Enquanto elementos desnutridos de moralidade se fizerem presentes em nosso meio, nossa luta para alcançarmos a perfeição se torna cada vez mais inútil.
Olhando pelo lado quantitativo, cresce a passos largos o número de dependentes de favores. São aqueles que se limitam ao presente, sem refletirem sobre as consequências do futuro. E nem se preocupam em reclamarem constantemente dos resultados negativos causados pela sua imbecilidade e pela sua falta de caráter.
Faço aqui presente uma frase que ouvi de um certo político patoense, isso quando eu estava no alge das minhas atividades na condução da política. Palavras dele: “Para ganhar a eleição, faço pacto até com o Diabo. Depois, o resto que se dane.”
Foi aí que comecei a entender o verdadeiro sentido da política vivida por “profissionais”, que maltratam o raciocínio lógico de quem ainda não amadureceu ao ponto de combatê-los. Então, eles, os “profissionais”, se aproveitam da ociosidade dos imaturos para dar continuidade aos seus desmandos.
São muitos os que se conluiem com aqueles a quem, antes, atacaram com suas críticas avassaladoras e lançaram sobre eles seus venenos mortíferos. São homens sem caráter e sem idoneidade moral, que merecem o nosso repúdio.
Sei que muitos se sentirão ofendidos. Mas isso pouco me incomoda. O certo é que cumpri com a minha obrigação de mostrar uma verdade que precisava ser dita. Se esta foi uma orientação Divina, está cumprida.
Por Adalberto Pereira
-o-o-o-o-o-o-o-
terça-feira, 27 de setembro de 2022
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segunda-feira, 12 de setembro de 2022
OSSOS DO OFÍCIO
VENCENDO OBSTÁCULOS
O ano era 1979. Eu estava muito bem no exercício da minha função no Departamento de Jornalismo da Rádio Espinharas de Patos. Surpreendentemente, recebo uma proposta para trabalhar na Emissora Rural a Voz do São Francisco, em Petrolina.
O salário era tentador, mas a indecisão colocava-me diante de uma situação inusitada: eu estava na Rádio Espinharas há seis anos em minha segunda passagem pela emissora, onde comecei em 1962, ainda desconhecido e com o nome artístico de Carlos Alberto, ideia de José Augusto Longo e Luis Pereira. Não foi fácil suportar a separação da minha família e dos amigos, mesmo sabendo que poderia superar tudo isso.
Sabendo do convite que me fora feito pela Direção da Emissora Rural de Petrolina, alguns colegas me aconselharam a não aceitar. Alegavam eles que era um grande risco, uma vez que lá só tinha “feras” e que eu ia me decepcionar.
Ora, se eu já estava indeciso, calculem a minha situação diante dos “estímulos” dos colegas! Além disso, eu não sabia nem onde ficava Petrolina. Já me colocava na condição de um estranho na multidão. E cada vez que pensava assim, a dúvida aumentava e o receio dominava os meus neurônios.
Resolvi dizer SIM! Fui até o Pe. Luiz Laires da Nóbrega, meu Diretor e comuniquei: - Recebi uma proposta da Emissora Rural de Petrolina! Não pretendo deixar a Espinharas e meus amigos daqui. Se vocês pelo menos chegarem ao mesmo salário, eu ficarei. Não quero mais que isso.
O Pe. Laires consultou o Departamento Pessoal e este informou não ter condições de conceder-me um aumento que chegasse ao prometido pela outra emissora. Na época eu deixara de ser o Carlos Alberto de 1962 e já era o Adalberto Pereira, nome que eu mesmo escolhi.
O Pe. Laires fez o que estava eu seu alcance para manter-me na emissora. Não era eu o melhor, mas eu era Diretor de Jornalismo, repórter, redator, apresentador do Jornal da Manhã e Comunicação Total e ainda integrava o quadro de esportes da emissora. E isso sem nenhum interesse financeiro.
Quem não queria um funcionário assim? Acredito que este detalhe chamou a atenção dos Diretores da Emissora Rural (Monsenhor Gonçalo, Sr. Paulo Brito e Pe. Mansueto de Lavor). Não nego que estava feliz com o convite. Mas era dominado pelo medo, quando lembrava os comentários negativos dos colegas.
Procurei não levar aquilo a sério. Na rodoviária de Patos e já dentro do ônibus da Viação Brasília, olhava para os amigos que passavam e acenavam para mim. Confesso: não conseguia conter as lágrimas. Eu amava a Rádio Espinharas e Patos ocupava e ainda ocupa um lugarzinho especial no meu coração. Quantas vezes pensei em desistir!
Em Petrolina, fui recebido na rodoviária pelo saudoso colega Juarez Farias e por ele conduzido até um apartamento na própria emissora. Tudo era muito estranho. A falta dos amigos e do carinho dos patoenses não me permitiram um sono tranquilo. E haja sofrimento! E foram muitos dias assim.
Cheguei a pensar que as previsões dos amigos lá de Patos começavam a virar realidade. Mas um dia fui surpreendido com um chamado dos diretores. Eles me incumbiram de apresentar um noticiário. Estaria eu sonhando? Aquilo era verdade? Quase que beliscava meu próprio corpo para saber se estava acordado.
Ao entrar no estúdio para apresentar o noticiário, notei que um grupo de curiosos me observava do outro lado do vidro. E, para minha surpresa, aquele grupo era formado pelos senhores Paulo Brito, Monsenhor Gonçalo, Mansueto de Lavor e Vinicius de Santana. Na verdade, eu estava diante de uma verdadeira “prova de fogo”.
Antes da última notícia, todos eles haviam desaparecido. O que teria acontecido? Aquilo era um bom ou um mau sinal? Seria a confirmação das previsões dos amigos de Patos? Ao levantar-me, vi o sonoplasta fazendo um sinal de positivo. Mas ele não fazia parte daquele grupo. Logo...!
No dia seguinte, o Monsenhor Gonçalo Pereira Lima, chegou à porta da sala de redação, olhou pra mim com aquele sorriso próprio dele e falou: - O senhor vai apresentar os noticiários de hora em hora, a partir da próxima semana. Ao dar os primeiro passos, deu meia volta para dizer: - Parabéns!
Naquele momento, desejei ver ao meu lado os colegas da Rádio Espinharas que duvidaram da minha capacidade de estar entre os que eles chamaram de “Feras”. Também queria que eles testemunhassem que eu não havia me decepcionado. Afinal, eu havia vencido o grande obstáculo que via pela frente.
Vencer desafios não é tremer diante das oportunidades, mas encará-la com coragem, colocando-se lado a lado com os competentes e se tornando “fera” como eles. No rádio, os desafios não são pouco e também não são fáceis de vencê-los. Mas ao longo dos 30 anos de rádio, consegui vencer os mais complexos obstáculos.
Mas, se alguém perguntar sobre meu desejo de retornar às atividades radiofônicas, eu serei muito sincero em dizer que nada hoje me estimula a isso. A nossa imprensa, de um modo geral, está voltada para os interesses pessoais.
É lógico que existem as exceções às regras. Ainda conseguimos encontrar uma dúzia de bons profissionais, embora as empresas, em sua grande maioria, não colaborem no sentido de que o profissional exerça os seus trabalhos com dignidade.
A força da política partidária e os poderes aquisitivos de empresários inexperientes tornaram os ambientes de trabalho dos profissionais da imprensa em grandes “senzalas”, onde a escravatura de muitos se expandiu de forma assustadora.
Estes são na atualidade os maiores inimigos dos profissionais da imprensa, escrita, falada e televisada. Esta realidade é vivida de forma silenciosa pelos que precisam manter vivos os seus empregos.
Dizer que não sinto saudades dos meus momentos como locutor, redator, repórter, apresentador e até de diretor de jornalismo, funções exercidas ao longo dos meus 30 anos de trabalho, seria tentar enganar a mim mesmo. Mas estas saudades limitam-se aos tempos da nossa independência profissional.
Chegar ao exercício da função de Gerente Administrativo de uma emissora de rádio foi, além de um grande desafio, fruto de um trabalho revestido de responsabilidade, competência e dedicação. Sem essas qualidades eu seria apenas um a mais neste mundo de parcialidade e subserviência jornalísticas.
- Por Adalberto Pereira –