O LIDER
E O DITADOR
A liderança não se aprende em universidades. A
liderança se aperfeiçoa com o espírito. Não podemos confundir um líder com um
ditador. O líder vence e convence pela palavra. O ditador vence pela força
física. As palavras de um líder ferem o coração. As palavras de um ditador fere
o corpo. O líder é formado na arte de ouvir. Assim, ele ouve, analisa, medita e
expõe as suas concepções. O ditador desconhece o valor do ouvir e sempre
responde sem antes procurar a verdade.
Para ser líder, precisa-se ter um pouco de
Martin Luter King, um pouco de Gandhi e o mínimo de si mesmo. O líder tem
firmeza no caminhar pelas estradas da vida. O ditador anda tropeçando em sua
própria sombra. Quem segue os passos
firmes de um líder, dificilmente tropeça nas adversidades. Os que tentam imitar
um ditador caminham em direção ao abismo do insucesso.
O líder apega-se à virtude da honra e da moral
para alcançar os seus mais profícuos ideais. O ditador apega-se à força da
prepotência para alcançar os seus objetivos. Os conselhos de um líder promovem
o crescimento espiritual. O ditador não aconselha. Ele impõe. O líder é
paciente. Ele pensa, medita e age com sabedoria. Sua visão é panorâmica. O
ditador, ao contrário, tem uma visão medíocre, mente e deturpa os fatos. Ele
tem duas personalidades, usando-as de acordo com a sua necessidade.
A liderança “vem do berço”. Nem todos nascem
líderes. Se assim fosse, o mundo estaria repleto deles. A liderança pode se
aperfeiçoar, dependendo da capacidade de cada um. Numa sociedade gananciosa,
onde cada um luta para superar a sua própria capacidade intelectual, a
conquista pela força nos leva a ficar entre o fogo da violência. Nessa sociedade infame de comportamento
desastroso não se encontra espaço para os grandes líderes. Nela, eles seriam
sufocados pelas insuportáveis ações dos ditadores.
Num país democrático, por exemplo, o sistema
ditatorial não funciona. Isso porque, a liberdade democrática de pensar e de
agir enfraqueceria os ideais dos que procuram vencer de qualquer jeito para
colocar em prática os seus propósitos negativos que contrariam os anseios
populares. Isso os leva à pobreza moral, física e psicológica. Nesse caso, até
o Congresso que deveria estar ao lado do povo, atira-se nos braços de quem
governa impulsionado pelo ímpeto da ditadura.
Certa vez, ao serem indicados os nomes que
estariam concorrendo a representante de classe, o professor Durval Fernandes,
então Diretor do Colégio Pedro Aleixo, em Patos, fez algumas colocações sobre a
importância de representar alguém. Uma das qualidades citadas pelo ilustre
diretor foi, sem dúvida ter espírito de liderança. Segundo ele, o representante
precisava, antes de tudo, ser um modelo de aluno: educado, dedicado, assíduo,
participativo e capacitado para interceder pela classe, quando necessário.
A primeira vista, ser líder não é uma função
tão fácil como muitos pensam. Ouvi de uma certa pessoa a seguinte expressão:
“se eu não conseguir vencer pela palavra, vencerei pela força!”. Ou seja, ele quis dizer que faria o possível
para mostrar sua capacidade de liderança mas, se isso não fosse possível, ele
se tornaria um ditador. Esse, na realidade, é o pensamento daqueles que tentam
vencer a todo custo.
Um certo deputado, em conversa informal,
disse-me que para vencer a eleição faria um pacto até com o Diabo. Depois de
eleito, o mandaria para os “quintos do inferno”. Ele estaria disposto a tudo. O
líder, ao contrário daquele deputado, não precisa de acordos indecentes. A sua
capacidade de liderança, coloca-o no ápice da glória, tornando-o um verdadeiro
vitorioso.
O líder conquista a confiança pela sua
capacidade. O ditador, ao contrário, é seguido pelo medo dos que já nasceram
fragilizados pela sua inoperância moral. Os ditadores não impõem respeito aos
corajosos. Por estes eles são desprezados e até odiados. A queda do ditador é
um alívio para uma sociedade que luta pela liberdade de ação, de pensamento e
de expressão.
O mundo respirou aliviado com a queda de Adolf
Hitler. O mundo lamentou e chorou a morte de John Fitzgerald Kennedy. Aqui
estão dois extremos bastante equidistantes. De um lado, um ditador perverso, assassino frio e
calculista. Do outro, um exemplo de liderança.
Pessoas idôneas, a exemplo de Martin Luther King, Mahatma Gandhi, entre outras lideranças
internacionais, não podem e nem devem ser comparadas a ditadores nefastos como
Fidel Castro, Josef Stálin e outros que
sufocaram e sacrificaram os direitos individuais dos seus concidadãos.
O Brasil vive, atualmente, uma ditadura
democrática parlamentarista. Muitos poderiam perguntar de onde tirei essa idéia
maluca. É que o sistema governamental brasileiro está nas mãos de um grupo
político-partidário, que prega uma democracia enganosa, cujas decisões são
tomadas por um parlamento desmoralizado pelas
negociatas e pela corrupção.
O povo, que deveria governar junto, tendo os seus direitos respeitados,
tornou-se alvo da malandragem dos que o enganaram com promessas que nunca foram
cumpridas. Milhões de pessoas saíram às ruas repugnando a atual ditadura, mas o
nosso parlamento ficou indiferente, preferindo brigar entre si, com muitos
defendendo os seus interesses pessoais. Faltam líderes e sobram ditadores no
parlamento brasileiro.
E você? É um líder ou um ditador? Como tem agido diante da situação
político-social de seu país? O que dizer da deprimente conjuntura política que
tem levado ao caos o nosso sistema educacional, a nossa segurança pública e o
sucateamento de hospitais públicos e privados? Como você tem analisado o
descrédito da nossa economia e o alto índice de desemprego? Está calado? De
braços cruzados? Então desculpe, mas você não passa de um autêntico
antipatriota!
(Adalberto Claudino Pereira)
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