A IGREJA DE DEUS OFUSCADA PELO TEMPO
Hoje resolvi ser mais ousado do que sempre costumo ser. Acioneu a manivela do tempo girando-a à esquerda. Como resultado, passei a viver momentos interessantes. Foi tão gostoso que arrisquei chegar até o ano 2015.
1945 - Tinha eu quatro anos e morava em Abreu e Lima com meus pais José e Eudócia. Naquele TEMPO, quando meus pais começaram a frequentar a Igreja Batista, conheci o Pastor Severino Azevedo. Eu admirava a maneira como aquele homem conduzia os trabalhos da igreja. Quantas vezes o vi com um lampião na mão e a Bíblia na outra, cortando veredas e matagais até chegar à casa onde seria realizado um culto de evangelismo. Eram 2, 3 e até 4 quilômetros até chegar ao seu destino.
1950 - Cinco anos depois, já morávamos em Campina Grande. Lá, na Igreja Batista, encontramos o Pastor Silas Falcão. Nada havia mudado. Ele sempre acompanhava as suas ovelhas em todos os eventos religiosos. Não conto as vezes em que saíamos para cultos de evangelismo na Liberdade, Palmeiras, Quartel do 40 e outros bairros.
Em todos os trabalhos das senhoras, dos homens, da mocidade e até das crianças, lá estava o Pastor Silas Falcão acompanhando de perto. Sua presença estimulava a todos e todos se sentiam felizes com a companhia do seu pastor. Era grande o número de pessoas nos cultos de oração e nos cultos de evangelismo.
1962 - Agora em Patos, no causticante sertão da Paraíba, tive o prazer de conviver com o Pastor Silas Melo. De 1945 até 1962, já eram passados 17 anos, mas nada havia mudado. A Bíblia continuava sendo a mesma e os pastores continuavam bem próximos de suas ovelhas. De paletó e pedalando sua bicicleta, quase sem cor de tão velha que era, o Pastor Silas Melo, sempre incansável, visitava as ovelhas moribundas e evangelizava por onde passava. Estava presente em todas as atividades das senhoras, da mocidade e até das crianças. E como tinha gente nos cultos de oração.
Todas as tardes de domingo, a mocidade tinha a grande responsabilidade de realizar cultos nos bairros, sempre sob a orientação do pastor Silas. Eu e José Robismar éramos responsáveis pela pregação da Palavra. No final, a avaliação pastoral, para preparar-nos cada vez mais naquela árdua missão.
1994 - Agora em Araripina, passei a conviver com o Pastor Marcos José Limeira. Aí vem aquela saudade dos finais dos cultos, quando nos reuníamos na Praça de Dr. Pedro, ao lado da Igreja. A alegria era contagiante. Cantávamos e conversávamos, numa interação maravilhosa.
Quantas vezes nos reuníamos e "invadíamos" (no bom sentido) a casa Pastoral, que ficava a uns 50 metros da Igreja. Era uma mistura da alegria do pastor Marcos e a surpresa de Ivone, sua esposa. Como era legal estar junto ao pastor e sua família! Isso nos deixava cada vez mais familiarizados uns com os outros.
Dá-nos saudades o TEMPO em que os cultos nos lares, sempre realizados na parte externa e com a presença de vizinhos, eram todos dirigidos pelo pastor. Estimulados pela presença do pastor, todos se sentiam felizes e incansáveis para se deslocar até o local do culto. No final, os visitantes abraçavam o pastor como prova de respeito e admiração.
2015 - De 1945 até 2015, já passados 70 anos, os pastores modernizaram a Bíblia Sagrada. Ela já não é a mesma de 70 anos atrás. São muitas as justificativas, que vão da evolução social e tecnológica, até o crescimento das cidades e as necessidades de uma sobrevivência elitizada. Agora é cada um por si e (quem sabe!) Deus por todos!
E para acompanharem o alto poder aquisitivo de algumas igrejas, muitos se tornam gananciosos e acumulam vários empregos. Os valores registrados nos envelopes dos Dízimos mostram os salários dos contribuintes. Em algumas igrejas, o sorriso dos pastores dependem do valor da contribuição de cada membro. Então, quanto maior o Dízimo, mais bonito o sorriso do pastor!
A responsabilidade da pregação da Palavra deixou de ser uma exclusividade dos pastores e foram lançadas de forma grotesca e impiedosa sobre os "ombros" dos membros. Os pastores já não têm mais tempo. Acomodados em seus confortáveis gabinetes e estimulados pelos altos salários, eles estão preocupados com cursos de mestrados e doutorados, com igrejas grandes e rentáveis.
O TEMPO passou e podemos encontrar crentes que nem sabem onde mora o seu pastor. Mas isso pouco importa, pois eles também não sabem onde moram suas ovelhas! As residências dos pastores estão a quilômetros das igrejas. É que eles não podem ser incomodados. Deve-se respeitar a privacidade pastoral.
Lá se foi o TEMPO em que o pastor dizia ter sido chamado pelo Espírito Santo para a preciosa e difícil missão de pregar o Evangelho. Os novos TEMPOS trouxe consigo pessoas que, por falta de opção ou por incompetência profissional, optaram pelo seminário. Daí, o grande número de mercenários na direção da Igreja de Cristo.
Mas o TEMPO vai chegar em que todos eles estarão diante do Pastor Maior, a quem deverão dar muitas explicações. Muitos vão até dizer que combateram o bom combate, encararam outras denominações em nome do Evangelho, igrejas que, segundo eles, se desviaram da verdade. E Jesus dirá: - E foi para isso que eu os escolhi? Para julgar em meu lugar?
Os altos salários pastorais apresentam-se como ídolos tiranos, levando muitas igrejas pequenas a fecharem suas portas. Existem pastores que disputam entre sí, as melhores cidades. E ainda aparecem aqueles que apontam para os membros como os maiores culpados pela falência nos cultos de oração e nos trabalhos de evangelismo.
Agora, lá vem a lembrança de Jesus Cristo e dos discípulos preparados por Ele para pregar o Evangelho a TODA A CRIATURA. Aí eu vasculho a Bíblia para encontrar Jesus dizendo que devemos mudar de acordo com as revoluções sociais, políticas, industriais e tecnológicas e não encontro resposta para esta minha dúvida. É a ganância do século XXI empurrando as igrejas para o fogo eterno.
Os membros são servos do Senhor, que precisam ser conduzidos por uma vida cristã irrepreensível (isso é bíblico). Os pastores são discípulos escolhidos e preparados para pregarem o Evangelho e fazerem novos discípulos (ensinamento bíblico). Hoje, para o exercício de suas funções, muitos deles são ricamente remunerados (isso é fato).
E o que fazer para mudar tudo isso? Mandar os pastores se atualizarem nos estudos bíblicos? Se conscientizarem e confessarem sua culpa ao tentarem mudar as orientações bíblicas? Se afastarem dos ensinamentos dos "grandes" teólogos e se aproximarem mais de Deus? Colocarem a Bíblia Sagrada como prioridade, diante do exagerado acervo literário? Acho que eles são são bastante crescidinhos para reconhecerem os seus deslizes.
Lembro daquele pastor, que aproveitando a presença de vários crentes, após o culto dominical, olhou para um dos membros e, enquanto apertava sua mão, comentou: - Meu irmão, eu só lhe vejo na igreja nos domingos! Imediatamente o crente respondeu: - É verdade, pastor! Deve ser porque o senhor também só vem aqui nos domingos!!! E como ele ficou sem graça!!!
Não são poucos os exemplos de pastores desonestos que se comprometem com a igreja, dizendo-se dispostos a darem seu tempo integral, mas falham com o compromisso assumido. Vão para onde querem e não dão a mínima satisfação àqueles que o sustentam no Ministério Pastoral. Muitos chegam a dizer: - sou pastor e não escravo!
INFELIZMENTE, JÁ TOMEI MUITO TEMPO DE VOCÊS E JÁ ESCREVI O BASTANTE PARA REVOLTAR MUITA GENTE! ESTOU PRONTO PARA AS "GUILHOTINADAS"!
Postado por Adalberto Claudino Pereira
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